
Com duração de dois anos, o projeto “Sistemas Produtivos Agroecológicos no
Território do Médio Rio Doce (MG)” prestará assistência técnica a famílias da
agricultura familiar, com foco na implementação de iniciativas de transição
agroecológica.
Há 37 anos, o Centro Agroecológico Tamanduá (CAT) atua no território do Médio
Rio Doce, construindo e fortalecendo redes de produção e comercialização
agroecológica em comunidades rurais e territórios de povos tradicionais. Essa
trajetória permitiu à instituição à construção de uma escuta atenta das lutas e dos
sonhos coletivos que brotam no chão do território.
Com o objetivo de fortalecer esta construção, o projeto “Sistemas Produtivos
Agroecológicos no Território do Médio Rio Doce (MG)” nasce como iniciativa que
busca promover a transição agroecológica dos quintais produtivos de 60 famílias do território do Médio Rio Doce. No decorrer de 2 anos, a ação será construída a partir da realização de diagnósticos do agroecossistema, assessoria técnica e intercâmbio de saberes entre agricultoras e agricultores familiares das comunidades dos municípios de Governador Valadares, Virgolândia, Açucena, Coroaci e Frei Inocêncio.

em Virgolândia (MG) / Fonte: Equipe CAT.
“Poder plantar e colher um alimento sem veneno é sinônimo de liberdade, de viver
em harmonia com o território.”
A fala da agricultora familiar e quilombola, Maria do Carmo, traduz a importância do fazer agroecológico para o fortalecimento dos modos de vida das famílias do campo. Aos 67, ela e o esposo celebram a possibilidade de trazer à mesa o arroz, o feijão, os frutos e os legumes do próprio quintal, no Quilombo das Águas, em Virgolândia (MG). De acordo com ela, a chegada do projeto “Sistemas Produtivos Agroecológicos no Território do Médio Rio Doce” é uma grande oportunidade para ampliar os cultivos e levar alimentos saudáveis, sem veneno, para as mesas das famílias da cidade e das escolas.
Iniciado em fevereiro de 2026, o projeto é realizado através do 2o edital “Da Terra à
Mesa”, apoiado pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar.
De acordo com a reflexão do coordenador do projeto Euriko Yogi, os quintais
produtivos vão além da geração de renda e têm potencial para diversificar a produção, com a implementação de diferentes espécies que podem enriquecer a
alimentação das famílias participantes. A proposta prevê a realização de oficinas
voltadas à produção de bioinsumos, a instalação de biofábricas familiares, a
promoção de intercâmbios de saberes entre agricultores e agricultoras familiares
com o objetivo de garantir a implementação das unidades. A estruturação das
unidades de produção agroecológica contará com a doação de equipamentos, como roçadeiras, trituradores e sistemas de irrigação, facilitando o manejo e a transição agroecológica das famílias.
O projeto prioriza a participação de mulheres, jovens e famílias de povos tradicionais do território, reconhecendo a importância de construir ações de reparação histórica da exclusão que atinge esses grupos, e também pelo seu papel central na preservação da biodiversidade, na produção de alimentos e no fortalecimento das práticas agroecológicas.
“Quando eu cultivo um alimento sem veneno no meu território, sei que estou
investindo no futuro saudável da minha comunidade”, pontua a indígena Sekuai
Braz.
Ela relata que, na Aldeia Geru Tucunã, do povo Pataxó, no município de
Açucena (MG), os moradores já atuam na entrega de alimentos ao Programa de
Aquisição de Alimentos (PAA) e afirma que a chegada do projeto representa a
possibilidade de realização de um sonho de fortalecimento da produção
agroecológica. Ela destaca ainda que, para além dos benefícios à sua aldeia, a
iniciativa aponta caminhos coletivos de resistência, que possibilitam a permanência
das novas gerações de povos indígenas, comunidades tradicionais e famílias do
campo em seus territórios.
Entre quintais produtivos, trocas de saberes e o fortalecimento das comunidades, o
projeto “Sistemas Produtivos Agroecológicos no Território do Médio Rio Doce (MG)”
se soma a uma rede de 45 iniciativas voltadas à agricultura familiar, executadas em
diferentes regiões do Brasil por meio do edital “Da Terra à Mesa”, executado com o apoio do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar. A chamada
pública contou com investimento de R$ 100 milhões.

Por Sarah Gonçalves, comunicadora popular do Projeto Da Terra à Mesa / CAT.







